Acordo Mercosul-UE congelado

Lentilha importada terá fiscalização mais rígida e risco de retenção; Entenda os riscos envolvidos na centralização excessiva da logística; Gargalos logísticos ameaçam oportunidades do acordo Mercosul–UE para o agro brasileiro

🧊 Acordo comercial entre a UE e o Mercosul está em revisão judicial

O Parlamento Europeu enviou, hoje (21), o acordo comercial com o Mercosul para revisão judicial. O movimento ocorreu após uma votação com uma maioria de apenas 10 votos — 334 votos a favor e 324 contra, além de 11 abstenções — e que teve como objetivo solicitar o parecer do Tribunal de Justiça da UE sobre os textos do acordo.

Com isso, o Parlamento não poderá aprovar o texto em si até que o tribunal emita seu parecer. O problema? Esse processo tradicionalmente leva de 18 a 24 meses.

E agora? Há a possibilidade de o executivo da UE aplicar provisoriamente o acordo enquanto aguarda a decisão do tribunal. Mas isso colocaria as duas instituições diretamente em rota de colisão no que diz respeito à responsabilização democrática.

Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento, condenou o resultado da votação. Para ele, a medida foi absolutamente irresponsável.

“Aqueles que são contra a #UE e o #Mercosul deveriam votar contra no processo de consentimento, em vez de usar táticas de protelação sob o pretexto de revisão jurídica. Isso é muito prejudicial para nossos interesses econômicos e para nossa posição. A equipe Europa acaba se colocando em uma situação de impedimento.”

Bernd Lange

👀 Entenda os riscos envolvidos na centralização excessiva da logística

Tradicionalmente, as discussões em torno das cadeias de suprimentos giraram em torno dos mesmos indicadores: custos, velocidade de produção e cumprimento de metas de capacidade. Trata-se de uma mentalidade adquirida por décadas de otimização, em que a previsibilidade recompensava a escala e a eficiência ditava a estratégia.

Mas, em 2026, as coisas estão mudando. Apesar de as métricas serem as mesmas, a centralização excessiva das operações logísticas está revelando vulnerabilidades críticas.

O modelo que funcionou por décadas, concentrando cargas em grandes portos e centros de distribuição, agora expõe pontos únicos de falha que comprometem toda a rede quando ocorrem interrupções.

Atrasos em um único hub — causados por congestionamento, condições climáticas ou regulamentações locais — se espalham rapidamente por sistemas inteiros. A dependência de rotas ou fornecedores únicos reduz a flexibilidade operacional, enquanto a infraestrutura fixa não consegue se adaptar quando os padrões comerciais mudam.

  • A solução está na transição de estratégias focadas apenas em eficiência para modelos que não a descartam, mas priorizam a resiliência.

Grandes organizações estão deixando de concentrar tudo em um pequeno número de instalações e passando a distribuir capacidade onde ela é necessária. Essa mudança torna as redes mais adaptáveis e menos suscetíveis a falhas em um único ponto.

Para analistas do setor, organizações que incorporam flexibilidade em sua infraestrutura física estão se tornando mais bem posicionadas para absorver interrupções sem a necessidade de reinvenção constante de seus sistemas logísticos.

⚠️ Lentilha importada terá fiscalização mais rígida e risco de retenção

O Brasil atualizou as normas para importação de lentilha da Argentina, estabelecendo controles sanitários mais rigorosos que impactam diretamente importadores e distribuidores.

A mudança encerra a regulamentação vigente desde 2004 e reforça a fiscalização sobre o produto.

Toda carga agora exige certificado fitossanitário emitido pela autoridade sanitária argentina. Na entrada no país, os grãos serão obrigatoriamente inspecionados, com possível coleta de amostras para análise em laboratórios oficiais ou credenciados.

  • Os custos de envio e análise das amostras passam a ser responsabilidade do importador.

Se a fiscalização considerar necessário, as cargas podem ficar retidas até a conclusão do processo sanitário. Isso pode gerar despesas extras de armazenagem e maior tempo de liberação nos portos.

Há também o risco comercial. Se for detectada praga quarentenária ou com potencial de dano à agricultura brasileira, a carga poderá ser devolvida ou destruída. Em casos graves, o Brasil pode suspender temporariamente as importações até nova análise de risco.

Para o mercado, a medida aumenta a segurança sanitária e reduz o risco de entrada de pragas prejudiciais. Porém, importadores enfrentarão processos mais rigorosos, custos elevados e possíveis atrasos logísticos, fatores que podem influenciar preços e a disponibilidade do produto no mercado interno, especialmente em períodos de alta demanda.

🥴 Gargalos logísticos ameaçam oportunidades do acordo Mercosul–UE para o agro brasileiro

Se aprovado, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul tende a aumentar o acesso a mercados e estimular o fluxo bilateral de mercadorias, mas também expõe, de forma crescente, os gargalos crônicos da infraestrutura nacional.

O acordo deve funcionar como um teste de estresse para o sistema logístico brasileiro. Sem investimentos consistentes em portos, rodovias e ferrovias, o risco é que a expansão do comércio se traduza em congestionamentos, atrasos e aumento de custos.

A questão agora não é apenas produzir mais, mas conseguir escoar com eficiência.

Um levantamento aponta que o Brasil deve exportar 58,8 milhões de toneladas adicionais de granéis agrícolas nos próximos dez anos. A demanda deve atingir a capacidade atual dos principais portos exportadores até 2028, sendo que alguns terminais já ultrapassaram o limite de segurança operacional de 85%.

Já existe uma série de projetos portuários e ferroviários; contudo, a maioria ainda está em fase embrionária e precisará ser acelerada para se tornar realidade até 2033.

Com o aumento dos contêineres e granéis, os Portos do Sudeste e terminais do Arco Norte devem sentir pressão imediata. Rodovias e ferrovias que alimentam esses corredores, que já operam no limite, correm o risco de enfrentar congestionamentos crônicos, com reflexos diretos sobre custos e prazos de entrega.

Sem uma agenda consistente de investimentos, o “Custo Brasil” logístico pode consumir a vantagem competitiva obtida nas negociações comerciais.

🤭 Como está seu conhecimento sobre legislação aduaneira?

Na última semana, compartilhamos com vocês uma das questões da prova de Habilitação de Despachantes Aduaneiros, realizada em 16 de novembro de 2025. Hoje trouxemos o resultado. Prontos?

Se você marcou a resposta E, parabéns! Você assinalou a questão correta. Não lembra a questão? Volte aqui para refrescar a memória.

Para fins de consulta, essa foi a questão 17 do modelo 1 de prova.

Na edição de amanhã, traremos uma nova questão para vocês. Até lá!

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