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Brasil: falta de planejamento logístico traz prejuízos milionários
Trump ameaça taxas adicionais a países que importarem da Vezuela e China segue investindo em melhoramentos logísticos em seu país.
🤑 Custo com transporte de cargas representa 13% do PIB brasileiro

Um estudo do Tribunal de Contas da União (TCU) trouxe informações importantes a respeito do transporte de cargas no Brasil, dados revelam que os gastos com transporte de carga chegam a R$1,3 trilhão - o equivalente a 13% do PIB e o dobro da média global.
Além disso, o documento denominado Acórdão 2000/2024, chama a atenção para o baixo investimento nacional em infraestrutura de transportes - que representa menos da metade da média global, para a falta de diretrizes estratégicas no planejamento logístico e consequentemente o prejuízo que isso causa à economia brasileira.
Importante ressaltar que essa falta de investimento em infraestrutura de transportes de carga eleva consideravelmente os custos de transporte, que além de compor cerca de 64% de todos os custos envolvidos na logística, representa cerca de 15% do preço final do produto.
Outro dado importante levantado pelo relatório do TCU é a contradição existente no planejamento logístico de transportes brasileiro, onde o escoamento das commodities para exportação recebe total atenção e o transporte doméstico, responsável por 67% da carga movimentada no País, enfrenta deficiência operacional por utilizar majoritariamente o modal rodoviário.
Um meio que, além de ser mais custoso e ter a maior parte de sua frota envelhecida, tem maior emissão de poluentes e causa grande impacto nas estradas, que demoram a ser revitalizadas e representam um risco muito mais elevado de acidentes.
Número de acidentes envolvendo caminhões no Brasil está cada vez maior
Um levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou um aumento de 26% no número de vítimas fatais e de 15% nos acidentes envolvendo caminhões e ônibus nas rodovias brasileiras em 2024 - um total de 3.291 mortes em acidentes contra 2.611 em 2023.
Além disso, esses veículos pesados foram responsáveis por 28% dos acidentes de trânsito, mas causaram 46% das mortes nas estradas federais.
Mudar para o modal ferroviário ainda não é a solução
Apesar dos dados serem preocupantes, o estudo analisou a situação do transporte ferroviário brasileiro, e constatou que apesar de ter um custo de frete menor, o sistema logístico nessa área está ultrapassado e subutilizado.
Mais da metade da malha ferroviária brasileira está sem uso ou operando com fluxo extremamente baixo: 36,3% das ferrovias não registram tráfego algum, enquanto 22,76% transportam menos de dois trens por dia - apenas 12,66% da malha tem alta utilização.
Cadeia logística necessita de mais atenção
A conclusão levantada pelo relatório do TCU é de que o sistema logístico brasileiro está encarecendo a produção e necessita de maior atenção, investimento e principalmente planejamento.
Ewerton Henriques, sócio-diretor da SH Consultoria que atua assessorando projetos de infraestrutura, analisou o levantamento feito pelo TCU e trouxe algumas informações importantes a serem consideradas. Segundo ele, toda a cadeia logística precisa ser repensada, desde o armazenamento até a exportação.
O especialista afirma que os setores perdem competitividade por conta dos problemas logísticos que o Brasil enfrenta, principalmente o agronegócio - setor mais produtivo da economia brasileira.
É o caso da soja, por exemplo. Um estudo feito pelos EUA com o objetivo de comparar custos logísticos de exportação para a China, revelou que o custo médio de transporte da soja americana, utilizando todos os modais - estradas, ferrovias e navios, é cerca de 15% em relação ao preço de produção, enquanto o custo brasileiro chega próximo a 25%, segundo Henriques.
Isso demonstra que apesar da produção brasileira ter menor custo, quando se inicia a etapa de transporte, perde-se competitividade.
🇺🇸 Trump ameaça taxar em 25% país que comprar óleo da Venezuela
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 25% sobre qualquer país que comprar petróleo ou gás da Venezuela, sob a alegação de que que o país estaria enviando criminosos e assassinos para os EUA - informação negada pelo ministro venezuelano Diosdado Cabello.
Segundo o presidente, a tarifa será aplicada a partir de 2 de abril de 2025.
Apesar da Venezuela ter sido um dos principais fornecedores de petróleo aos EUA em 2024, com exportações de US$ 5,6 bilhões, elas representaram cerca de 3% do total das importações americanas de petróleo e gás.
Medida pode impactar o Brasil
Embora o Brasil não seja um grande importador, mantém relações comerciais e energéticas com o país vizinho por meio de operadores independentes e empresas regionais.
Caso continue comprando petróleo venezuelano, o país pode enfrentar sanções dos EUA com tarifas adicionais de 25%, afetando diretamente as exportações brasileiras, que representam 15% do total enviado ao país - impactando setores como aço, alumínio, celulose, alimentos processados e manufaturados.
Além disso, a medida pode prejudicar diversos países emergentes e incentivar alianças fora da influência dos EUA, como China e Rússia.
O anúncio do presidente dos EUA fez os preços do petróleo subirem, com o WTI fechando a US$ 69,11 e o Brent a US$ 73 por barril.
Trump sugeriu que pode flexibilizar a tarifa para alguns países mas segue culpando nações latino-americanas pela imigração ilegal. Recentemente, seu governo tentou deportar venezuelanos sob a Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798, mas a medida foi bloqueada pela Justiça dos EUA.
🚂 China: Porto de Fuzhou despacha o primeiro trem com contêineres sob regime de projeto de lei único
A área portuária de Jiangyin, no Porto de Fuzhou, China, despachou o primeiro trem com contêineres de transporte multimodal sob um novo projeto de lei, o regime de conhecimento de embarque único.
Sob o novo regime, estima-se que o tempo de trânsito das mercadorias será reduzido em cinco dias em comparação com o envio original, e os custos logísticos diminuirão em aproximadamente 10%.
Além disso, com a nova medida, os clientes do transporte marítimo-ferroviário vão realizar apenas uma única contratação por meio da plataforma logística ferroviária para gerenciar todo o despacho.
Essa facilitação também vai permitir a formalização de um contrato de transporte único, o pagamento da tarifa em uma única vez e a organização de um seguro de transporte de forma integrada para cobrir todo o processo logístico, facilitando o gerenciamento e minimizando os custos de transporte.
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