China embarca em navio de restrições comerciais

Custo de frete apresenta queda, parcerias estratégicas dos BRICS impulsionam empresas brasileiras e perdas bilionárias com corrosão afetam competitividade do aço

🛑 China decide impor restrições à exportação de tecnologia de materiais para baterias e chips

Em uma tentativa de manter uma vantagem competitiva contra os EUA, o governo chinês decidiu intensificar as restrições comerciais sobre a tecnologia utilizada na fabricação de baterias para veículos elétricos e semicondutores.

As novas restrições serão aplicadas à tecnologia de produção de gálio, um elemento usado para fazer semicondutores, e materiais de cátodo para baterias de íons de lítio. O Governo também estenderá o controle sobre as tecnologias avançadas que ajudam a melhorar a qualidade desses componentes.

A China hoje possui participação global de 90% em materiais de cátodo e gálio.

Agora, com as novas medidas, quem quiser mover a tecnologia para o exterior irá precisar solicitar permissão ao Ministério do Comércio.

Cátodo

As restrições que envolvem os materiais de cátodo, terão como alvo a tecnologia que aumenta a autonomia de veículos elétricos e outros veículos de nova energia.

Até o momento, poucas empresas disponibilizaram essa tecnologia para uso comercial, mas de acordo com dados recolhidos pela indústria Mysteel, a expectativa é de que ela se torne difundida entre os fabricantes de baterias a partir do final de 2025.

Gálio

O gálio é um subproduto do processamento de alumínio, obtido pelas refinarias chinesas a partir de um método próprio que, apesar de ter um alto custo, é o mais eficiente na produção de materiais com alta pureza.

Governo chinês vai na contra mão da indústria

Com a expansão de seus produtores para outros países, o governo percebeu que os fabricantes visavam uma expansão mundial depois que três fábricas decidiram abrir unidades em outros países.

  • Changzhou Liyuan New Energy Technology - Fabricante de materiais catódicos que abriu sua primeira fábrica no exterior em Abril de 2024, na Indonésia;

  • Hunan Yuneng New Energy Battery - Anunciou construção de uma fábrica na Espanha;

  • Hubei Wanrun New Energy Technology - Iniciou a construção de uma fábrica nos EUA com início de produção em larga escala marcada para 2028.

De acordo com o Instituto de Pesquisas Industriais Gaogong, da China, quando os países ocidentais permitem que empresas chinesas operem dentro de suas fronteiras, costumam exigir o compartilhamento da tecnologia principal.

Foi o caso da estatal chinesa Aluminum Corp e da privada Cayman Aluminum, que enfrentaram demandas para sua tecnologia de produção de gálio utilizado em semicondutores para carregadores rápidos de veículos elétricos, data centers e sistemas de radar e comunicação militares.

Com as novas restrições, o governo pretende impedir que essas tecnologias avançadas vazem para o exterior.

Sem gálio, sem vantagem

O Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, fez uma previsão de que os Estados Unidos ficarão para trás na tecnologia militar e econômica se a China manter sua vantagem em gálio.

Em contrapartida, as autoridades chinesas se tornam mais protetoras a tecnologia à medida que o interesse do exterior cresce.

Seria essa uma medida retaliativa à proibição imposta pelos EUA sobre a venda de semicondutores para a China?

O fato é que a China costumava impor restrições comerciais apenas em minerais e outros bens, em vez de tecnologia de produção, uma nova realidade que pode estar sendo derivada da guerra comercial que estamos acompanhando neste ano.

🫠 25% da produção mundial de aço é perdida para a corrosão

A Steelpaint, empresa alemã especialista em corrosão, vem solicitando ações urgentes para combater o impacto ambiental da corrosão do aço, pois de acordo com um estudo liderado pelas Universidades Curtin e Estadual de Ohio, 25% da produção mundial de aço é perdida para a corrosão.

Segundo a empresa, a proteção inadequada contra a corrosão contribui mais para as emissões globais de CO₂ do que toda a indústria da aviação, pois somente a substituição e renovação desse material perdido representa 4 a 9% das emissões totais de carbono no mundo.

Somente o setor marítimo consome cerca de 100 toneladas de aço anualmente, e cada falha prematura no aço gera um ciclo de substituição que prejudica os esforços de descarbonização.

O aço é um dos processos industriais mais poluentes

Para cada chapa de 10m x 10m, cerca de três toneladas de CO₂ são emitidos no ambiente. Além disso, custos de transporte e a necessidade de revestimentos adicionais aumentam significativamente a emissão de carbono.

A demanda mundial por aço foi de 1,8 bilhão de toneladas em 2024 e deve crescer 2,9% até 2030. No setor de construção naval, o consumo anual chega a 32,2 milhões de toneladas, sendo que China, Coreia do Sul e Japão utilizam 88,3% desse total.

Diante desse cenário, a empresa Steelpaint reforça a necessidade de proteção eficaz do aço como um imperativo econômico e ambiental.

💰 Taxas de frete nas principais rotas marítimas caem 4% durante a última semana

O Índice Mundial do Content Index (WCI) da Drewry caiu 4%, atingindo US$ 2.264 por contêiner de 40 pés. Esse valor é 78% menor que o pico pandêmico de US$ 10.377 em setembro de 2021, mas 59% maior que a média pré-pandemia de US$ 1.420 (2019).

O índice médio foi de US$ 3.127 por FEU, 242 acima da média de 10 anos (US$ 2.885), impactada pelo período da Covid-19.

As tarifas de frete caíram:

  • Xangai → Los Angeles: -9% (US$ 2.658)

  • Xangai → Nova York: -7% (US$ 3.774)

  • Xangai → Roterdã: -2% (US$ 2.463)

  • Roterdã → Nova York: -2% (US$ 2.316)

  • Roterdã → Xangai: -1% (US$ 484)

  • Nova York → Roterdã: -1% (US$ 846)

  • Xangai → Gênova: -1% (US$ 3.286)

As tarifas de Los Angeles → Xangai permaneceram estáveis. A Drewry prevê que a queda continue nas próximas semanas.

🤑 Brics: oportunidades e parcerias para as empresas brasileiras

Exercendo a presidência do Brics desde janeiro, o Brasil divulgou a posição do Governo Federal de combinar pragmatismo político com visão estratégica, para que o país possa consolidar sua liderança como um dos principais articuladores dessa nova ordem multipolar.

De acordo com Ricardo Cappelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial - ABDI, um olhar específico para os países do Brics pode trazer oportunidades de investimentos e parcerias tecnológicas e a partir dessa premissa abordou detalhes sobre cada um dos principais membros do bloco:

BRics: oportunidades na Rússia

A Rússia, uma das nações mais poderosas e ricas em recursos naturais, pode oferecer ao Brasil oportunidades de aprendizado tecnológico e expansão comercial.

Além do setor energético e do agronegócio, há potencial de investimentos e infraestrutura de transporte e obras públicas, especialmente em Moscou.

A Apex Brasil identificou 231 oportunidades comerciais no mercado russo, destacando setores como máquinas e equipamentos de transporte, alimentos como carnes, farelo de soja, frutas e celulose e produtos químicos, como medicamentos e polímeros de etileno, conforme relatório da ABDI.

BrIcs: Índia é hub global de TI

A Índia tem se tornado um mercado cada vez mais atraente para o Brasil, atualmente é a quinta maior economia do mundo e, segundo a The Economist, terá o maior crescimento econômico anual entre os membros do G-20 até 2028.

Reconhecida como hub global de TI e software, a Índia oferece oportunidades para o Brasil avançar em startups, Inteligência Artificial e Big Data por meio de cooperação tecnológica. Além disso, o setor de infraestrutura (rodovias, ferrovias e aeroportos) apresenta alta demanda, atraindo potenciais investimentos brasileiros.

A energia renovável é outra área promissora, com a Índia buscando expandir a produção solar e eólica, possibilitando parcerias tecnológicas com o Brasil. No setor de biotecnologia, o país é líder em medicamentos genéricos e vacinas, o que pode impulsionar colaborações.

O crescimento da classe média indiana tem ampliado a demanda por bens de consumo, criando novas oportunidades de mercado para empresas brasileiras.

BriCs: China, maior parceiro comercial

A China é um mercado gigantesco com oportunidades em tecnologias críticas, automotivo, saúde e energias renováveis.

Líder em Inteligência Artificial, a China investe fortemente em pesquisa e inovação. Setores como biotecnologia e energias renováveis crescem com incentivos governamentais, oferecendo ao Brasil oportunidades tecnológicas.

O setor de veículos elétricos (EVs) está em plena expansão, com investimentos em infraestrutura, tornando o Brasil um destino atrativo para capital chinês.

BricS: África do Sul tem localização estratégica

A África do Sul oferece ao Brasil oportunidades em mineração, agricultura e energias renováveis, sendo um hub estratégico para investimentos no continente.

Setores com potencial incluem máquinas e equipamentos de transporte, construção civil, produtos químicos e alimentícios, com destaque para café, carne e frango.

Na construção, há demanda por tintas, ferramentas, madeira, painéis de fibras, móveis e vidro. No setor de máquinas e equipamentos, oportunidades incluem geradores, transformadores, laminadores e máquinas agrícolas.

O setor automotivo também se destaca, com espaço para autopeças, baterias, motocicletas, reboques, tratores e veículos de carga.

Novos países do BRICS

A expansão do BRICS para incluir Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã amplia oportunidades de investimento para o Brasil.

  • Arábia Saudita: Projetos de energia solar e eólica alinhados ao Vision 2030.

  • Egito: Oportunidades em construção civil e logística com a expansão do Canal de Suez.

  • Emirados Árabes Unidos: Investimentos em smart cities, IA e fintechs, além de posição estratégica como hub global.

  • Etiópia: Crescimento no setor têxtil e de confecções, com espaço para parcerias tecnológicas.

  • Irã: Potencial em exploração de petróleo e gás e infraestrutura energética.

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