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☃️ De rotas congeladas a corredor estratégico: como o Ártico virou prioridade mundial
As crescentes investidas de Trump sobre a Groenlândia têm reacendido debates a respeito do futuro do Ártico e o que isso significa para o comércio mundial.
Hoje o tempo de viagem entre os dois maiores portos do mundo, Xangai (China) e Roterdã (Holanda) é cerca de 30 dias, mas essa realidade pode mudar. Estudos preveem que até 2065 a navegabilidade do Ártico aumentará tanto que novas rotas comerciais em águas internacionais passarão a existir.
Atualmente, três rotas marítimas abrangem a região do Ártico:
1) Rota do Mar Norte (NSR): Em funcionamento desde 2009, está localizada ao longo da costa ártica russa do Mar de Barents e através do Estreito de Bering, com capacidade de cortar 4.000 milhas náuticas em relação às rotas marítimas tradicionais da Ásia para Europa.
Essa rota foi navegável até 2018 por apenas 3 meses ao ano, para navios fortalecidos para gelo, mas em 2021 o tráfego de carga cresceu cinco vezes e segue crescendo. A previsão é que o número salte de 33 milhões de toneladas para 100 milhões até 2030.
2) Passagem do Noroeste (NWP): Localizada ao longo da costa norte do Alasca, passa pela Groenlândia e chega ao Oceano Atlântico Norte. É o trajeto mais curto atualmente viável que une os oceanos Atlântico e Pacífico, reduzindo o tempo de viagem em cerca de 30% em comparação com a rota através do Canal do Panamá.
3) Rota do Mar Transpolar (TSR): Este seria o caminho mais direto que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, passando direto pelo Ártico central. No entanto, esta rota não é comercial por enquanto por ser navegável apenas por quebra-gelos pesados, mas é considerada uma opção viável no futuro.
Além disso, estudos consideram que os mares da Groenlândia e de Barents - NSR E NWP - podem chegar a ter 365 dias de água aberta navegável até 2100.
Adicione isso ao fato de que a China tem construido uma nova Rota da Seda marítima no Oceano Ártico com a ajuda da Rússia, e entenda o outro motivo, além das terras raras, que faz a região ser alvo de ameaças de Trump.
Por exemplo, em 2023, a NewNew Shipping Line, empresa chinesa parceira da Rússia, completou sete viagens de navios porta-contêineres entre a Ásia e a Europa via Oceano Ártico.
Em julho de 2024, lançou uma nova rota ártica ligando Xangai a São Petersburgo.
Outro ponto importante, noticiado pela mídia chinesa sobre a “Rota da Seda do Gelo”, é a informação de que ela amenizaria o dilema chinês do Estreito de Malaca.
O Estreito é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, especialmente para o comércio internacional. Grande parte do petróleo e das mercadorias transportadas entre o Oriente Médio, a África e a Ásia Oriental passa por ele.
Ou seja, se um dia os EUA tentarem bloquear o Estreito de Malaca por meios militares, o fornecimento de petróleo da China será fortemente impactado, transformando a importância das rotas do Ártico em uma linha vital para a segurança energética chinesa.
Por fim, as preocupações se estendem à realidade de que, desde 2011, o Ministério de Defesa russo tem realizado exercícios militares ostensivos na região do Ártico além de desenvolver armas militares de alta tecnologia, especializadas para o ambiente de gelo.
Em 2024, Putin ordenou o maior exercício militar da região na história - Ocean-2024 - envolvendo 400 navios de guerra, submarinos, embarcações de apoio e 120 aviões e helicópteros.
O envolvimento contínuo da China e da Rússia no Ártico é uma tentativa clara de reconfigurar a dinâmica geopolítica da região, destacando a crescente importância do Ártico não apenas como uma área de recursos naturais ricas em terras raras, mas também como um ponto estratégico no comércio mundial.
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