Ferro e Aço: Como as tarifas dos EUA afetam o Brasil

Queda nas ações de siderúrgicas já são registradas; Indústria marítima também deve ser afetada pelo movimento pró-EUA iniciado por Trump

🇧🇷 Entenda como o Brasil pode ser afetado pelas novas tarifas de Trump que entraram em vigor

Nesta quarta feira, 12, começou a valer as taxas de 25% aplicadas sobre a importação de ferro e aço para os EUA. Por ser o segundo maior exportador do produto para o país norte americano, o Brasil deve ser diretamente afetado pelas medidas.

De acordo com o Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, os EUA foram destinos de 47,37% das exportações do grupo de aço e ferro em 2024, totalizando cerca de US$ 4,677 bilhões.

Com as tarifas entrando em vigor, o que se espera é uma redução do número de importações pelos EUA desses produtos, principalmente no curto e médio prazo.

A nova realidade vai exigir que o Brasil procure diversificar a exportação desses materiais, buscando mercados em outros países ou direcionando o excedente para o próprio mercado nacional, o que poderia solucionar uma possível “inundação” de aço chinês que poderá ser redirecionado ao Brasil.

Essas são possíveis possibilidades, mas o fato é que em um primeiro momento, não está muito óbvio para onde as exportações brasileiras serão direcionadas, uma vez que há uma pressão da própria indústria americana para que as taxas deixem de ser aplicadas.

E as empresas brasileiras?

Um relatório do Itaú BBA divulgou que as empresas exportadoras não listadas na bolsa de valores brasileira - que representam mais de 80% das vendas de aço para fora do país - como a ArcelorMittal e a Ternium, serão as mais afetadas pelas medidas.

Isso pois ambas empresas adquiriram nos últimos anos novas fábricas e hoje possuem uma capacidade de produção altíssima, com milhões de toneladas de placas de ferro por ano, onde boa parte vai para o mercado americano.

Já as grandes siderúrgicas brasileiras como a Gerdau, Usiminas e CSN não seriam tão prejudicadas, pois suas exportações desses produtos são menos significativas para a operação dessas companhias.

Assim como no caso da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que também não deve ser muito afetada pelas tarifas americanas por não ter as exportações para os EUA como pilar significativo para seus negócios.

Ainda assim, a bolsa de valores reagiu..

Mesmo com o relatório apontando pouca influência para as empresas brasileiras listadas na bolsa de valores, as ações das siderúrgicas amanheceram em queda nesta quarta feira, 12.

Por volta das 10h50 (horário de Brasília), as ações da Gerdau caíam 0,42%, sendo cotadas a R$ 16,92; da Usiminas apresentavam queda de 0,68%, a R$ 5,84; e a CSN registrava perda de 1,42%, negociada a R$ 8,32. 

Com cenário incerto, Brasil decidiu por não retaliar de imediato tarifas dos EUA sobre aço

Em entrevista nessa quarta feira, 12, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo brasileiro não irá retaliar as tarifas nesse primeiro momento.

Segundo o ministro, o Ministério da Fazenda irá primeiramente analisar as propostas apresentadas pelo setor de aço e posteriormente encaminha-las em nota técnica para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O momento para o governo brasileiro é de cautela, pois ainda há uma tentativa de negociação com os norte-americanos, uma vez que a primeira reunião técnica entre Brasil e Estados Unidos ainda não aconteceu e deve ser marcada para esta semana, de forma virtual.

Durante as negociações, o governo brasileiro pretende mostrar que além do Brasil apresentar déficit no comércio bilateral com os EUA, a tarifa média aplicada pelo Brasil é de 2,75%, valor inferior aos 3,5% aplicada pelos EUA em importações do Brasil.

O governo também pretende tentar, nas negociações, manter as cotas atuais de exportação sem tarifa para o aço.

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🇺🇸 Plano de construção naval dos EUA pode afetar indústria de transporte maritímo

A ideia do Presidente dos EUA de impulsionar a construção de navios americanos por meio de tarifas portuárias sobre embarcações chinesas, não é novidade, mas o impacto na cadeia de suprimentos mundial pode ser maior do que o esperado.

Embora o objetivo de Trump seja reviver indústria naval dos EUA e enfraquecer o domínio global da China no transporte marítimo, a perspectiva dos executivos da indústria é de que as políticas pró-EUA do presidente podem trazer consequências não intencionais que vão contra seus propósitos.

Além do aumento de cerca de US $30 bilhões em custos anuais aos consumidores dos EUA e do aumento significativo do custo de transporte das exportações dos EUA - dados do Conselho Mundial de Transporte (WSC) - no curto prazo, os armadores fariam menos paradas nos portos dos americanos para limitar as tarifas.

Segundo executivos que participaram da conferência TPM da S&P Global em Long Beach, Califórnia, isso significa que uma avalanche de carga adicional pode impactar esses portos, dificultando a chegada à varejistas e fabricantes.

O chefe executivo da MSC, Soren Toft, levantou a questão de que o plano faria com que grandes empresas do transporte passassem à evitar os portos menores para mitigar o impacto.

Essas medidas levariam à saturação dos portos maiores e congelaria os menores, correndo o risco de repetir os primeiros engarrafamentos que dificultaram os fluxos comerciais mundiais durante a pandemia.

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