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👀 Brasil negocia para evitar tarifas adicionais dos EUA
O governo brasileiro corre contra o relógio para fechar um acordo tarifário com os Estados Unidos antes de 15 de julho. O prazo foi fixado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que decidirá se aplicará uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que aponta supostas práticas comerciais "desleais" por parte do Brasil.
O Brasil rejeita a acusação e argumenta que a tarifa média aplicada às importações norte-americanas é de apenas 2,7%, o que enfraqueceria a alegação de que empresas dos EUA sofrem prejuízos decorrentes de barreiras comerciais no mercado brasileiro.
Além da tarifa de 25%, uma sobretaxa de 12,5%, aplicada a cerca de 60 países sob a justificativa de combate ao trabalho análogo à escravidão, poderá elevar a carga tarifária incidente sobre determinados produtos brasileiros para até 37,5%.
Para avançar nas tratativas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defende uma abordagem setorial, contemplando temas específicos como etanol, açúcar, aeronáutica, telecomunicações e serviços de computação em nuvem.
Ele deverá participar em breve de uma reunião virtual com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, ao lado do ministro Márcio Elias Rosa.
O governo já descartou incluir o Pix ou outros temas de política interna nas negociações. O prazo para um entendimento é curto: os Estados Unidos conduzem negociações simultâneas com dezenas de países, e uma eventual reunião entre Lula e Trump durante a cúpula do G7, na França, entre 15 e 17 de junho, ainda não foi confirmada.
FUP EXPLICA: além dos impactos diretos sobre o agronegócio brasileiro e outros setores que mantêm forte relação comercial com os Estados Unidos, há também um importante efeito de precedente. Caso Washington aplique a Seção 301 contra o Brasil nessa magnitude, outros países poderão adotar interpretações semelhantes em disputas futuras, reduzindo o poder de barganha brasileiro em negociações comerciais multilaterais e aumentando a insegurança para exportadores.

🚛 Congresso analisa MP que endurece fiscalização do frete mínimo
O Congresso Nacional instalou nesta terça-feira (9) a comissão mista responsável por analisar a Medida Provisória nº 1.343/2026, editada pelo governo federal em março com o objetivo de aumentar a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário estabelecido pela ANTT.
A medida reacende um debate que acompanha o setor desde a greve dos caminhoneiros de 2018, quando a tabela de frete mínimo foi criada como forma de garantir uma remuneração mínima aos transportadores autônomos após a paralisação que provocou desabastecimento em diversas regiões do país.
Transportadoras e embarcadores voltaram a criticar a proposta, argumentando que a fiscalização prévia aumenta a burocracia e reduz a flexibilidade em um mercado marcado por grandes variações regionais de custos, sazonalidade e disponibilidade de carga.
Os contratos de longo prazo também preocupam o setor. Como a tabela da ANTT é atualizada periodicamente, reajustes nos pisos mínimos podem forçar renegociações durante a vigência dos acordos, criando instabilidade para empresas que trabalham com planejamento logístico de médio e longo prazo.
Além disso, a constitucionalidade do mecanismo continua sendo contestada judicialmente por entidades empresariais, que sustentam que a fixação de preços mínimos representa uma intervenção estatal indevida nas relações de mercado.
A comissão mista agora deverá escolher seu presidente e relator antes de encaminhar o parecer para apreciação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
FUP EXPLICA: a fiscalização prévia por meio do CIOT cria um novo ponto de atrito operacional, já que toda carga deverá ser registrada e validada antes do embarque. Em um país com as dimensões logísticas do Brasil, onde caminhoneiros autônomos respondem por uma parcela significativa das viagens, qualquer interrupção ou lentidão nesse fluxo tem potencial para afetar cadeias inteiras de suprimento.
Para as empresas, o principal risco está nos contratos. Quem firmou acordos de longo prazo com base na tabela vigente poderá ser obrigado a renegociá-los caso a ANTT atualize os pisos durante sua execução, gerando incerteza de custos em setores que já operam com margens reduzidas, como alimentos e comércio eletrônico.
Para os caminhoneiros, a lógica é inversa: sem fiscalização efetiva, o piso mínimo tende a se tornar letra morta. Parte da categoria aceita fretes abaixo da tabela por falta de alternativas, o que pressiona a renda daqueles que dependem exclusivamente da atividade para sobreviver.
O pano de fundo político também é relevante. A greve de 2018 paralisou o país e demonstrou o impacto que a categoria pode exercer sobre a economia nacional. Nesse contexto, a MP surge, em parte, como uma resposta preventiva à insatisfação acumulada dos caminhoneiros, em um momento em que os custos operacionais continuam pressionados pelos preços do diesel e dos pedágios.
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🚢 Frete marítimo dispara 23% em uma semana com corrida por embarques
O custo do transporte marítimo de contêineres voltou a subir de forma expressiva. O índice World Container Index (WCI), da consultoria Drewry, avançou 23% na primeira semana de junho, alcançando US$ 3.433 por contêiner de 40 pés (FEU).
Nas principais rotas do comércio internacional, os reajustes foram ainda mais intensos:
Os fretes entre Xangai e Los Angeles subiram 31%, atingindo US$ 4.565 por FEU, enquanto os embarques para Nova York avançaram 20%, chegando a US$ 5.505.
Na rota Ásia-Europa, o trecho Xangai–Roterdã registrou alta de 25%, alcançando US$ 3.579, enquanto Xangai–Gênova avançou 20%, chegando a US$ 5.089.
Os fatores por trás da alta já eram conhecidos pelo mercado, mas se manifestaram antes do esperado. Entre eles estão a antecipação da alta temporada do comércio mundial, a corrida de importadores para embarcar mercadorias antes de novas rodadas de tarifas nos Estados Unidos, os congestionamentos em portos do Sudeste Asiático e o aumento dos custos provocado pela crise no Oriente Médio.
Dados da Container Trade Statistics mostram que a demanda mundial por contêineres cresceu 4,3% em abril na comparação anual, com o comércio transpacífico avançando 11,3%.
Um novo fator também entrou no radar do setor. O Canal do Panamá anunciou que reduzirá, a partir de julho, o calado máximo permitido para navios Neopanamax, como medida preventiva diante do risco de escassez hídrica associado ao El Niño. Embora o impacto imediato seja limitado, especialistas alertam que a restrição pode aumentar a pressão sobre cadeias de suprimento que já operam sob forte estresse.
FUP EXPLICA: o fator relacionado ao Canal do anamá merece atenção especial. A restrição de calado para navios Neopanamax a partir de julho pode forçar parte do fluxo transpacífico a buscar rotas alternativas, como o Cabo Horn ou o Canal de Suez, aumentando distâncias, tempos de trânsito e custos operacionais.
Para operadores brasileiros que dependem dessas conexões para acessar mercados asiáticos, qualquer desvio significativo de tráfego altera a equação logística e impacta custos e prazos de entrega.
Por fim, a antecipação da alta temporada sugere que o mercado não espera alívio no curto prazo. Empresas que não garantiram espaço nos navios tendem a enfrentar fretes mais caros ou maiores tempos de espera, o que pode atrasar entregas, comprometer estoques e afetar o planejamento da produção.
📦Consolidado de Notícias do Dia
🤖 China mira ter 10.000 robôs humanoides em uso comercial em 2026. Leia mais.
⚽ Copa do Mundo aquece vendas e faz transporte de TVs por cabotagem crescer 25% no Brasil. Leia mais.
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