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Greve dos Auditores: antes, tínhamos o Canal Melancia, agora, o Canal Verde sem papel

Também na edição de hoje: empresas correm para se adaptar ao novo cenário logístico e evitar prejuízos bilionários.

🚨Greve dos Auditores-Fiscais já surte impacto na retirada de cargas

Muitas remessas contendo os documentos originais necessários para a instrução da Declaração de Importação estão sendo retidas indefinidamente devido à inação da fiscalização aduaneira.

Os efeitos se tornam evidentes quando, pela ausência de apresentação do Conhecimento de Carga aos armadores ou seus representantes, há um impedimento na autorização de entrega.

Portanto, o depositário, seja em zona primária ou secundária, não autorizará a retirada da mercadoria, mesmo que esta já esteja nacionalizada e tenha sido parametrizada em canal verde.

Como sabemos, o Conhecimento de Carga, também chamado de Conhecimento de Transporte, é o documento que formaliza o contrato de frete internacional. Ele é emitido pelo transportador e constitui prova de posse ou propriedade da mercadoria.

Nesses casos, o transportador pode exigir garantias devido à não apresentação do documento, sendo que tais garantias podem superar o próprio valor da carga, comprometendo o fluxo de caixa dos importadores.

Em resumo, o "desembaraço zero" — frequentemente motivo de preocupação quando noticiado — não precisa ser levado ao extremo para gerar impactos expressivos: a retirada da carga nacionalizada envolve muito mais do que a simples parametrização em canal verde e, talvez, apenas talvez, a fiscalização saiba disso.

🚢 Guerra tarifária força redirecionamento de navios e interrompe fluxo de transporte marítimo mundial

A disputa tarifária entre EUA-Canadá está causando forte impacto nas rotas marítimas mundiais, forçando navios a alterarem a rota para evitar perdas financeiras — uma remodelação das rotas comerciais em tempo real.

Navios que antes se destinavam aos portos dos EUA, estão desviando no meio do trajeto para evitar penalidades financeiras, criando interrupções na cadeia de suprimentos e aumentando os custos.

Foi o caso do navio Al reem, carregado de produtos canadenses, seu destino inicial era um porto dos EUA, mas foi redirecionado para Amsterdã, Holanda devido às novas tarifas aplicadas.

Essa remodelação é significativa, uma resposta incomum e cara à incerteza da política comercial, uma vez que está estreitamente relacionada com as novas tarifas aplicadas pelo governo americano.

Relembre as tarifas iniciadas em 4 de Março:

  • Tarifa de 25% sobre a maioria das exportações canadenses - aço, alumínio e produtos manufaturados.

  • Tarifa de 10% sobre os produtos energéticos canadenses - petróleo, gás e petróleo refinado.

Desde que foram implantadas, houve mudanças nas rotas comerciais e nas estratégias logísticas, a nova realidade é de que a maioria dos exportadores canadenses estão redirecionando os embarques para a Europa e a Ásia.

Indiretamente, o novo fluxo traz benefícios para os Portos Europeus: Roterdã, Antuérpia e Hamburgo registraram aumento das importações de matérias-primas canadenses.

Mas o principal impacto está no custo da cadeia de suprimentos, pois rotas de transporte mais longas significam custos de combustíveis mais altos e atrasos nas cadeias de suprimentos da manufatura.

Entenda como o setor está reagindo

  • Companhias de navegação: Algumas empresas estão atrasando as remessas até que a política comercial se estabilize.

  • Transportadoras: A recomendação é que os clientes façam apenas reservas de remessas com destinos flexíveis, permitindo ajustes rápidos.

  • Comerciantes de energia: Estão buscando apenas por acordos de longo prazo com compradores europeus e asiáticos para evitar tarifas dos EUA.

A guerra tarifária continua, com isso, mais embarcações podem ser forçadas a redirecionar, mudando os padrões atuais do transporte marítimo mundial e suas estratégias logísticas.

💰 Taxa de afretamento e frete marítimo atinge recorde de 289%

A utilização dos navios porta-contêineres caiu abaixo dos 90% em três das quatro principais rotas marítimas mundiais, ocorrendo principalmente pelo aumento no número de novos navios em operação, enquanto isso, a diferença entre tarifas de frete e de afretamento atingiu um recorde histórico.

Com os fretes atuais, as companhias ainda podem apresentar lucro em torno de 80%, mas as tarifas vêm sofrendo quedas constantes ao longo de 2025.

Mercado de afretamento supera o de fretes

Há uma disparidade histórica ocorrendo entre as tarifas de frete e as taxas de afretamento, com o índice frete x afretamento atingindo o recorde de 289%.

Apesar da redução das tarifas de frete, o mercado continua aquecido devido à forte demanda por navios.

Lucros das companhias em forte queda

A expectativa é de que os lucros do setor marítimo caiam mais de 80% este ano, indo de cerca de US$ 60 bilhões em 2024 - o terceiro maior valor registrado na história do negócio e o maior fora da “Era Covid” - para menos de US$ 10 bilhões em 2025.

Tarifas ainda são mais altas que antes da crise do Mar Vermelho

Desde janeiro, o índice geral de frete em contêineres de Xangai - Shanghai Containerized Freight - caiu 47%. Contudo, comparadas ao pico da crise marítima no Mar Vermelho em dezembro de 2023, as tarifas ainda permanecem acima daqueles níveis:

Ásia → Norte da Europa: Permanece em alta de +74%

Ásia → Mediterrâneo: Alta de +96%

Transpacífico: Alta de +40%

Porém, se a demanda por carga não reagir, e as tarifas de frete não se estabilizarem, uma correção no mercado de afretamento pode acontecer em breve.

A realidade é que o ambiente segue volátil, com impactos causados pela fraca demanda pós-Ano Novo Lunar, maior competição entre empresas marítimas e instabilidade gerada por políticas tarifárias recentes dos EUA e seus parceiros comerciais.

📦Consolidado de Notícias do Dia

Impactos da guerra tarifária - China suspende importações de GNL dos EUA

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