Gripe aviária faz EUA dobrar importação de ovos do Brasil

Entenda o impacto no mercado interno — Novas tarifas de Trump aquecem mercado de granel seco, enquanto a China segue construção de navios em tempo recorde.

🌾Novas medidas de EUA e China aquecem mercado de granel seco

O presidente Donald Trump anunciou que 2 de abril será o "Dia da Libertação", quando novas tarifas comerciais serão impostas a países que aplicam barreiras aos produtos dos EUA.

Apesar de ter informado anteriormente que alguns países poderiam ser “perdoados” e não serem tarifados, faltam apenas 10 dias para o início dessa medida e nenhum país foi listado.

Em resposta, os negociantes de commodities a granel estão agilizando a compra de insumos como minério de ferro, bauxita, produtos agrícolas, aço e madeira, em uma tentativa de se proteger dos impactos da próxima fase da guerra comercial de Trump.

Em paralelo, temos o governo chinês estabelecendo uma meta de crescimento do PIB de 5% para 2025 e divulgando medidas para estimular o consumo, o que tem impulsionado os mercados de frete à granel.

O Baltic Dry Index, por exemplo, subiu 67% em março, enquanto o Baltic Capesize Index teve um salto impressionante, cerca de 170% maior do que o registrado em fevereiro, refletindo um aumento de atividade, especialmente nas rotas que ligam a Austrália à China.

As exportações brasileiras também tiveram alta, com os ganhos diários de TCE saltando de cerca de US$ 7.400 para US$ 25.918 em determinados trajetos.

Além disso, os mercados de panamax mostraram recuperação em rotas para a China, principalmente levando em consideração que os agricultores dos EUA enfrentavam dificuldades, pois estavam acostumados a vender anualmente US$ 2 bilhões em grãos para a USAID, até que o governo cancelou o projeto, forçando os agricultores a buscar novos compradores.

Com os preços do trigo norte-americano no menor nível em quatro anos, a China aproveitou para comprar a preços reduzidos.

A rota dos panamax para a Europa também teve aumento significativo, registrando alta de 31% enquanto os ganhos em supramax e handysize também registraram aumentos expressivos.

Apesar dos avanços, o cenário permanece volátil, e o desenrolar das políticas tarifárias continuará a ter um papel decisivo nos resultados do setor, especialmente com a temporada de alta se aproximando em abril e maio.

Apresentado por Evandro Caciano, gestor financeiro pela FGV

💰CBE: Atenção Importadores e Exportadores

Poucos sabem, mas a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE) não se restringe apenas a investidores. Quem trabalha com importação e exportação também pode estar obrigado a declarar. O assunto parece complicado, mas com exemplos fica mais fácil entender:

  • Para importadores: Imagine que você fez um pagamento antecipado para seu fornecedor lá fora. Isso é normal no comércio internacional, mas se, ao final do ano (31/12), esses pagamentos antecipados somarem US$1 milhão ou mais, você deve fazer a declaração anual da CBE. Mesmo sem ter recebido a mercadoria ainda, o dinheiro já saiu do Brasil e é considerado um ativo seu no exterior.

  • Para exportadores: Agora pense no contrário. Você enviou a mercadoria para seu cliente internacional e está aguardando pagamento. Se os valores pendentes ultrapassarem US$1 milhão até 31/12, isso também configura uma obrigação de declarar a CBE. O dinheiro ainda não entrou no país, mas já é um ativo externo seu.

Parece detalhe, mas muita gente já enfrentou problemas sérios por não declarar ou atrasar a CBE. As multas podem chegar até R$250 mil.

A dica aqui é simples: faça um controle cuidadoso dessas operações. Vale muito procurar um especialista para ajudar nisso. Assim você fica tranquilo, em conformidade com o Banco Central e longe de dores de cabeça no comércio internacional.

“Gestor financeiro pela FGV e pós graduando em comércio exterior pela Unicamp, com mais de 15 anos de experiência na área financeira, passagem por bancos, corretoras e fintechs. Hoje é head banking and cripto na Exchange Câmbio e comex, além de professor na Abracam, Febraban, GMS e Saint Paul.

“Gestor financeiro pela FGV e pós graduando em comércio exterior pela Unicamp, com mais de 15 anos de experiência na área financeira, passagem por bancos, corretoras e fintechs. Hoje é head banking and cripto na Exchange Câmbio e comex, além de professor na Abracam, Febraban, GMS e Saint Paul.

🐣EUA recorrem ao Brasil para ovos durante surto de gripe aviária

Em meio a crise derivada do surto de gripe aviária nos EUA, que dizimou quase 170 milhões de galinhas, perus e outras aves desde 2022, o país dobrou as importações de ovos do Brasil neste ano, uma medida para tentar reduzir os preços altíssimos dos ovos no mercado interno americano, que registrou alta de 53,6%.

As importações de ovos do Brasil pelos EUA em fevereiro aumentaram 93% em relação ao ano anterior, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Ovos que antes eram usados apenas como ração de animais - mesmo após autoridades brasileiras já terem comprovado que atendia aos requisitos dos EUA para consumo humano,agora serão liberados para utilização em alimentos processados como misturas para bolo, sorvete ou molho para salada, liberando mais ovos frescos para compradores.

Além disso, há uma pressão interna pedindo pela flexibilização da regulamentação de venda sobre ovos postos por frangos de corte, que está sendo analisada pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA, pois milhões são destruídos frequentemente devido à sua comercialização proibida.

Preço dos ovos no Brasil disparam

O preço dos ovos tem disparado no Brasil desde o início de fevereiro, mas apesar da demanda da exportação de ovos aos americanos ter dobrado, ainda representa menos de 1% da produção nacional.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), há um aumento na demanda sazonal, comum ao período da quaresma, quando há substituição religiosa de carne vermelha por proteínas brancas e ovos.

A substituição religiosa, aliada ao aumento no custo da carne bovina, são os principais motivos apontados pela ABPA para o aumento dos preços.

Além disso, o custo de produção teve forte impacto no setor, o milho é o principal componente da ração das Aves e seu preço sofreu elevação de 30%.

Na safra do milho verão 2024/25 a Conab calcula uma redução de 1,9% na oferta em relação ao plantio anterior, com a menor área plantada da série histórica da Conab desde 1976/77.

Embora espera-se que a safra de milho brasileiro seja maior no verão 2025/26, o país deve exportar cerca de 34 milhões de toneladas, tornando o excedente interno do grão o menor desde 2020/21.

Alterações climáticas são fator importante

As temperaturas em níveis históricos também tem impactado na produtividade das aves, diminuindo o desempenho da chocagem de ovos e aumentando as taxas de mortalidade, o que está refletindo diretamente na oferta dos produtos, diz a ABPA.

🚘China constrói navios em ritmo recorde para exportação de carros

A medida que a China busca obter maior controle sobre o transporte marítimo internacional, e auxiliar montadoras de veículos elétricos - como a BYD, a acelerar sua expansão mundial, os estaleiros chineses passaram a construir novos navios de transporte de veículos em um ritmo sem precedentes.

O mais recente deles, um gigantesco navio com capacidade para transportar 8.600 carros, foi montado e entregue em apenas 200 dias pela Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding Co.

A nova embarcação, além de ser o maior navio operado por um armador chinês, marca um passo fundamental na estratégia de veículos chineses com transporte chinês idealizada por Li Gang, chefe do Partido Comunista e proprietário do navio China Citic Financial Leasing.

Além disso, o navio é o primeiro de uma nova geração de transportadores chineses de veículos capaz de operar com gás natural liquefeito (GNL), além do combustível tradicional.

Em sua viagem inaugural, o navio transportará mais de 5.700 veículos, entre automóveis e veículos de construção, de Xangai para portos europeus.

O aumento acelerado nas exportações chinesas de carros para o mundo nos últimos anos, tem gerado escassez de navios ro-ro, principal meio de transporte utilizado pela indústria automotiva.

A medida de aceleração na construção desses navios, visa aliviar a escassez na capacidade de transporte de veículos para que as montadoras possam continuar atingindo suas metas de expansão.

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