45 mil demitidos

Caminhoneiros adiam decisão sobre a greve nacional; Brasil sobe no ranking de parceiros comerciais de China e EUA; Selic cai para 14,75%, mas corte frustra indústria e deixa mercado em alerta

😅 Brasil sobe no ranking de parceiros comerciais da China e dos EUA

O Brasil ganhou posições em dois rankings comerciais em 2025, mas por razões opostas. Com a China, o país aprofundou laços e aumentou o superávit bilateral. Com os Estados Unidos, a relação piorou, e o Brasil passou a gerar um dos maiores superávits a favor dos americanos no mundo.

  • Subiu da quarta para a terceira posição entre os países com maior superávit comercial frente à China, que chegou a US$ 44,8 bilhões em 2025.

  • Saltou do sétimo para o quinto lugar no ranking de países que têm maior déficit comercial com os norte-americanos, atingindo US$ 14,4 bilhões no ano passado.

O crescimento do comércio com a China foi puxado por soja, minério de ferro e petróleo, que juntos representaram 74,2% das exportações brasileiras ao país. Só as exportações de petróleo chegaram a 870 mil barris por dia.

Com as tensões comerciais entre Pequim e Washington, o Brasil se beneficiou e aumentou sua fatia no mercado chinês.

Do lado americano, o cenário é de cautela. Tarifas impostas pelo governo Trump derrubaram as exportações brasileiras em 6,7% no ano, com queda de 16,7% no segundo semestre.

Embora uma decisão da Suprema Corte americana tenha reduzido as alíquotas de 50% para 15%, analistas alertam que os danos já foram feitos. Contratos foram rompidos e a recuperação não deve ser rápida, principalmente considerando que Trump continua buscando meios de aumentar suas tarifas de importação sobre diversos países.

FUPdate

🤖 45 mil demitidos: IA passa a ser o funcionário do mês

Quarenta e cinco mil empregos. Esse é o número que o setor de tecnologia já atribuiu à inteligência artificial desde o início de 2026, e o ano mal completou três meses. Para quem acompanha o mercado há algum tempo, os números não surpreendem, mas a velocidade com que tudo está acontecendo merece atenção.

  • Amazon lidera o ranking com 16 mil demissões só em janeiro, coroando uma sequência de cortes que já reduziu 30 mil postos desde outubro de 2025.

  • Block enxugou quase 40% do seu quadro de uma só vez.

  • Dell demitiu 11 mil funcionários no último ano fiscal.

  • Atlassian cortou 10% da equipe.

Em todos os casos, a justificativa foi a mesma: a inteligência artificial mudou o que é necessário para a operação de uma empresa.

O que torna este cenário curioso é o fato de essas empresas não estarem enfrentando dificuldades. A Amazon registrou uma receita recorde de 716,9 bilhões de dólares em 2025. O lucro bruto da Block cresceu 24%. Não se trata de empresas à beira do colapso tomando decisões desesperadas.

Há um debate legítimo sobre até que ponto a IA é a causa real dessas demissões ou apenas o argumento mais conveniente para justificar cortes já previstos no planejamento.

A análise da RationalFX sugere que apenas 20% das demissões têm ligação direta comprovada com automação. O restante pode ser simplesmente disciplina financeira embalada em uma narrativa tecnológica.

Seja verdadeira ou exagerada, a narrativa tem efeito. Quando o CEO da Block afirma publicamente que uma equipe menor, usando IA, consegue fazer mais e melhor, ele não está apenas explicando uma decisão interna. Ele está sinalizando ao mercado inteiro como as empresas devem operar daqui para frente.

E o mercado respondeu: as ações subiram 20% no dia seguinte.

Os dados macroeconômicos confirmam que o fenômeno vai além do setor de tecnologia. Em janeiro de 2026, as demissões planejadas nos Estados Unidos cresceram 205% em relação ao mês anterior, atingindo o maior nível desde 2009. Se o ritmo se mantiver, 2026 pode superar 2025 como o pior ano em cortes de pessoal na história recente do setor.

O analista Alan Cohen resumiu bem: a questão não é mais se os empregos vão mudar por causa da inteligência artificial, mas quando e como. A resposta, ao que tudo indica, é agora e rapidamente.

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👀 Selic cai para 14,75%, mas o corte frustra a indústria e deixa o mercado em alerta

O Copom reduziu a taxa Selic para 14,75% ao ano nesta quarta-feira (18), encerrando quase oito meses com os juros em 15%. A decisão era esperada pelo mercado, mas a intensidade do ajuste gerou críticas do setor produtivo.

Com a mudança, a poupança, como de costume, ficou na lanterna: R$ 10 mil passam a R$ 10.702,96 em um ano e a R$ 14.044,92 em cinco anos. Já o Tesouro Selic entrega R$ 11.192,43 líquidos em 12 meses e chega a R$ 18.293,12 em cinco anos, já descontando IR e taxa de custódia. O CDB a 100% do CDI apresenta resultado parecido: R$ 11.198,37 em um ano e R$ 18.265,03 em cinco anos.

A redução dividiu opiniões entre os setores industrial e de comércio. A CNI declarou que o corte não é suficiente para reverter a desaceleração da atividade, destravar investimentos ou aliviar o endividamento das famílias.

"Essa cautela do Banco Central ainda é excessiva e seguirá penalizando nossa economia", afirmou o presidente Ricardo Alban.

A FecomercioSP adotou tom mais ponderado, reconhecendo que a inflação de serviços está pressionada e que as incertezas externas limitam movimentos mais ousados.

O cenário externo, de fato, pesa. O conflito entre EUA, Israel e Irã derrubou as expectativas de um ciclo mais acelerado de queda dos juros. O petróleo, que estava abaixo de US$ 80 antes da guerra, já ultrapassa US$ 100 o barril, pressionando combustíveis e ameaçando a inflação brasileira. O próprio Copom citou o conflito quatro vezes no comunicado e não sinalizou novos cortes nas próximas reuniões.

O Brasil não é o único país do mundo em que a guerra envolvendo o Irã afetou os juros. Segundo um ranking elaborado pela MoneYou e Lev Intelligence, dos 40 países analisados, 82,5% mantiveram os juros, enquanto 7,5% elevaram as taxas e 10% cortaram.

Mesmo assim, segue com a quarta maior taxa de juros nominal, de 14,75%, atrás somente da Turquia, da Argentina e da Rússia.

No momento, prevalece a cautela, uma vez que o ritmo dos próximos cortes dependerá, em grande parte, do que acontecer nos campos de batalha do Oriente Médio.

🚛 Caminhoneiros adiam decisão sobre greve nacional

Após assembleia realizada nesta quarta-feira (18), os caminhoneiros decidiram adiar a decisão e aguardar a publicação oficial das medidas anunciadas pelo governo federal antes de iniciar a paralisação.

Lutando contra a paralisação, a ANP, a Senacon e a Polícia Federal agiram de forma conjunta e fiscalizaram seis distribuidoras no Distrito Federal. A ANP autuou Raízen, Ipiranga e Masut, e a Senacon notificou as distribuidoras Vibra (antiga BR), Raízen e Ipiranga, que, juntas, concentram cerca de 70% do mercado nacional.

Todas foram autuadas por indícios de práticas abusivas, como vender combustível comprado a preços antigos por valores já reajustados e reter estoque à espera de novas altas.

Em nova frente, o governo também fechou acordo, até o momento, com 21 estados para compartilhar notas fiscais de combustíveis com a ANP em tempo real, fortalecendo o rastreamento ao longo de toda a cadeia para evitar práticas abusivas, focadas principalmente no óleo diesel.

Na linha do frete, uma lista pública das empresas que mais desrespeitam o piso mínimo foi divulgada. Entre as companhias com maior número de autuações estão a MBRF, Vibra Energia, Raízen, Ambev e Cargill.

  • Dados do Ministério dos Transportes indicam que cerca de 20% das empresas do setor não cumprem a tabela mínima do frete, um problema considerado estrutural.

Além disso, a ANTT passará a monitorar os fretes com base em dados fiscais compartilhados pelos estados, permitindo rastrear operações em escala nacional. O volume das autuações saltou de cerca de 300 por mês em 2023 para aproximadamente 40 mil em janeiro deste ano.

Greve local começa em Itajaí-SC

Em Itajaí-SC teve início uma paralisação nesta quinta-feira (19), com manifestantes concentrados no complexo portuário de Itajaí e Navegantes, sendo orientados a não carregar os veículos a partir do meio-dia, sem bloqueios físicos para evitar sanções.

A Justiça Federal de Santa Catarina proibiu interdições nas BR-101 e BR-470 e nos acessos portuários, com multas de R$ 10 mil/dia para motoristas e até R$ 100 mil/dia para entidades envolvidas em bloqueios.

Além disso, a Polícia Rodoviária Federal e demais forças de segurança estão autorizadas a atuar para garantir a liberação das estradas, inclusive com uso proporcional da força e identificação de manifestantes. Em caso de recusa, os envolvidos podem responder por desobediência.

No entanto, mesmo sem os bloqueios, a suspensão de carregamentos já preocupa o setor produtivo. O complexo portuário de Itajaí e Navegantes é um dos principais corredores logísticos do Sul do país, e qualquer interrupção pode afetar cadeias de abastecimento nos próximos dias.

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