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Roubo de carga nos EUA gera mais de US$15 bilhões em prejuízos anuais
Empresas cobram ações efetivas do governo, enquanto os EUA analisam sobretaxa de embarcações chinesas; Veto da UE sobre transbordo de gás russo pode impactar inverno chinês.
👮♀️ Índice de fraude e roubo de carga nos EUA segue em elevação

Os índices de fraude e roubo de carga nos EUA não param de subir, com isso, as organizações de transporte dos EUA estão solicitando à Câmara dos Deputados que aprovem uma força-tarefa federal para combater os crimes de carga, fortalecendo as penalidades contra os infratores.
Somente a CargoNet, uma subsidiária da Verisk, relatou um aumento de 27% no roubo de carga em 2024.
Mas especialistas do setor acreditam que essa é apenas a ponta do iceberg, Scott Cornell, líder nacional de transporte da Travelers Insurance, afirma que os números reais podem estar entre 50.000 e 100.000 casos.
Cornell acredita que o principal motivo para divergência das estatísticas é classificação errônea dos crimes — classificados como roubo de automóveis, roubo geral ou apenas fraude.
Até o momento, várias agências federais já investigam o roubo de carga, e de acordo com a Investigações de Segurança Interna (HSI) estima-se que as empresas dos EUA têm tido prejuízos anuais entre US$15 bilhões e US$35 bilhões.
Atualmente a legislação vigente é a Safeguarding Our Supply Chains Act, que estabelece o funcionamento de um Centro de Coordenação de Crimes da Cadeia de Suprimentos e uma Força-tarefa de Fraude de Cadeia de Suprimentos e de Roubo, que envolve várias agências federais, policiais locais e polícia ferroviária.
Além disso, o projeto de lei atual busca alocar US$ 100 milhões ao longo de cinco anos para apoiar os esforços de fiscalização e tornar obrigatório o relatório de roubo de carga para melhorar a precisão dos dados.
Mas segundo o CEO da Associação de Intermediários de Transportes (TIA), Chris Burroughs, ainda há muita disputa entre as agências federais a respeito de quem seria a responsabilidade, o que enfraquece a investigação, pois todas as agências reguladoras deveriam estar envolvidas, uma vez que esse tipo de crime afeta a todos.
Embora os líderes da indústria apoiem a força-tarefa proposta, muitos enfatizam que é apenas uma ferramenta, e que é necessário uma aplicação mais forte, melhor coordenação entre as agências e responsabilidade clara para que os progressos sejam reais e façam a diferença.
🥶Proibição da UE sobre transbordo de gás russo ameaça fornecimento de inverno da China
A proibição da União Europeia ao transbordo de GNL russo, que entra em vigor no dia 27 de março de 2025, coloca em risco as entregas de inverno do projeto Yamal LNG - um gigantesco projeto de energia russo, para a China e demais mercados asiáticos.
A medida, parte do 14º pacote de sanções da UE, afeta diretamente o modelo logístico da Rússia, que utiliza portos europeus para redirecionar volumes de GNL ao mercado asiático durante os meses em que a Rota do Mar do Norte está inacessível.
Grande parte do GNL da Yamal LNG é fornecido para a Europa, mas um volume considerável do restante, cerca de 29,9% é posteriormente transportado para a China.
A PetroChina, por exemplo, possui um contrato de 20 anos com o projeto, enquanto a China National Petroleum Corp (CNPC) detém 20% de participação acionária e o Silk Road Fund, outros 9,9%.
Com o bloqueio europeu, parte desse volume pode acabar retido na Europa, comprometendo os fluxos para a Ásia.
Além disso, especialistas indicam que, diante dos altos preços do GNL na Europa, a China pode optar por revender parte de seus carregamentos destinados originalmente ao mercado asiático, aproveitando a arbitragem de preços com menores custos logísticos.
Ainda assim, isso dependerá da disposição europeia em aceitar a compra, o que envolve mais uma questão política do que econômica.
Para contornar a nova restrição, a Rússia pode fazer operações de transbordo navio-a-navio (STS) nas proximidades de Murmansk, buscando manter os compromissos contratuais com compradores asiáticos, embora com custos e riscos logísticos mais elevados.
Mas apesar do potencial impacto, analistas apontam que a China está relativamente protegida, pois conta com uma cadeia de suprimento diversificada, reservas internas e fontes alternativas de importação, como o projeto Sakhalin-2 e o crescente fornecimento via gasodutos.
Inclusive, o fornecimento via gasodutos já é uma realidade entre os países, uma vez que desde janeiro de 2025 a Rússia ultrapassou o Turcomenistão e se tornou o principal fornecedor de gás natural por gasoduto para a China, com destaque para o Power of Siberia, que já opera próximo ao limite contratual.
Ou seja, mesmo que os embarques de inverno da Yamal LNG enfrentem atrasos, é provável que os fornecedores diversificados e as reservas domésticas da China amorteçam o impacto.
👀 Fim do conflito entre Rússia-Ucrânia pode mudar cenário de Seguro de Transporte mundial
O presidente da associação marítima Bimco, Nikolaus Schues, afirmou que a indústria internacional de transporte marítimo está considerando trabalhar com os novos grupos de seguradoras que surgiram para apoiar as “frotas sombras” da Rússia, desde que sigam boas práticas.
Essas novas seguradoras e clubes de P&I (proteção e indenização), são grupos que dividem riscos entre si, e deverão ser avaliados com base no cumprimento de regras internacionais de segurança e qualidade técnica.
Segundo Schues, caso o governo dos EUA reduza as sanções contra a Rússia como parte dos esforços para encerrar a guerra na Ucrânia, algumas dessas seguradoras podem se tornar legítimas, até mesmo entrando para o International Group of P&I Clubs, que cobre a maior parte da frota comercial do mundo.
Desde o início da guerra, a Rússia passou a usar uma grande frota paralela com navios antigos, muitos sem seguro aprovado por países do Ocidente, e que navegam sem qualquer cobertura, o que preocupa outros operadores e ambientalistas.
Outros, no entanto, contam com apoio de novas seguradoras, como o China P&I Club, que apesar de não fazer parte do grupo internacional oficial, vem ganhando destaque.
O fato é que a possível redução das sanções, caso o conflito na Ucrânia chegue ao fim, pode abrir espaço para mudanças no setor de seguros marítimos, como a incorporação de novas empresas que tenham sua eficiência de desempenho comprovada.
Os Estados Unidos estão avaliando uma proposta que pode cobrar até US$ 3,5 milhões por escala de navio em portos americanos, caso a embarcação tenha ligação com a China — seja por construção, operação ou propriedade.
A medida impacta principalmente o setor de granel sólido. Isso porque, só em 2024, 38% dos navios graneleiros que atracaram nos EUA foram construídos na China, e 70% das escalas portuárias foram feitas por operadores que possuem ao menos um navio de origem chinesa.
O sistema proposto tem taxas escalonadas:
US$ 1 milhão por navio operado por empresa chinesa;
+US$ 1,5 milhão adicional se o navio foi construído na China;
+US$ 1 milhão adicional caso a empresa tenha encomendado navios chineses.
Espera-se que, se aprovadas, as novas medidas terão impacto significativo, especialmente para cargas menores, como os pallets de madeira, usados como biocombustível.
Um navio com 28 mil toneladas dessa carga e sujeito a uma taxa de US$ 1 milhão pagaria US$ 35 extras por tonelada apenas em taxa portuária, um valor que quase dobra o custo do frete, que gira em torno de US$ 40 por tonelada.
O acréscimo pode deixar os produtos americanos menos competitivos no mercado internacional.
Embora a China controle diretamente menos de 6% dos navios graneleiros que chegam aos EUA, muitos navios operados por empresas de outros países — como Grécia, Estados Unidos e Japão — foram construídos na China, o que amplia o alcance da medida.
Especialistas apontam que a proposta não deve reduzir a demanda por granel sólido, mas pode prejudicar a competitividade das exportações americanas e consequentemente provocar uma redistribuição na frota global.
Além disso, outra possível consequência seria o aumento da presença de armadores japoneses nas rotas com destino aos EUA.
No entanto, como a China domina a construção de navios graneleiros no mundo, o efeito mais provável será um aumento geral nos custos de frete nas rotas comerciais com os EUA.
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