Schiphol em crise: 3.000 voos cancelados

UE sinaliza incentivo a agricultores por apoio a acordo com Mercosul; Aeroporto de Viracopos se torna único do Estado de SP com certificação OEA; Decisão da Suprema Corte sobre tarifas pode sair nesta sexta-feira

❄️ Inverno europeu cancela mais de 3 mil voos e paralisa operações de carga

O Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, enfrenta uma das piores crises operacionais de sua história. Desde sexta-feira (2), mais de 3.200 voos foram cancelados, com o pico na segunda-feira, quando 60% das operações foram suspensas.

  • Só a KLM cancelou 300 voos em um único dia.

O principal problema vai além da neve intensa: a escassez de fluido de degelo se tornou crítica. As equipes têm usado cerca de 85 mil litros diariamente, esgotando os estoques mais rápido que os fornecedores alemães conseguem repor. Sem esse produto, as aeronaves não podem decolar com segurança.

A situação impacta severamente as operações de carga. A Air France KLM Martinair Cargo anunciou novas medidas restritivas que devem impactar diretamente o fluxo de mercadorias entre o Brasil e a Europa.

As novas restrições são válidas para voos de e para Amsterdã até domingo (11), suspendendo a aceitação de produtos especiais e reduzindo vendas livres nas rotas KL e DL.

As operações da Martinair enfrentam atrasos e mudanças de cronograma, com cargas para o “Animal Hotel” temporariamente suspensas.

Apesar da chegada de suprimentos emergenciais de fluido na manhã de hoje, a previsão meteorológica indica continuidade da nevasca durante toda quarta-feira, prolongando o caos no principal hub de conexões da Europa.

Além de Schiphol, cerca de 100 voos foram cancelados na manhã desta quarta-feira (7) no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, e outros 40 no aeroporto de Orly, também na capital francesa.

🤑 UE sinaliza incentivo a agricultores por apoio a acordo com Mercosul

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs nesta terça-feira (6) o acesso antecipado a fundos agrícolas do orçamento da UE, no valor de 45 bilhões de euros, para auxílio aos agricultores. O objetivo, é conquistar apoio ao acordo de livre comércio com o Mercosul.

  • A primeira-ministra italiana, Georgia Meloni, saudou a carta enviada pela Comissão, descrevendo-a como um “passo positivo e significativo”.

  • O ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida, afirmou que a UE está propondo aumentar os investimentos na agricultura italiana entre 2028 e 2034, em vez de reduzi-los.

Com isso, uma fonte da UE afirmou que a Itália votará a favor do acordo comercial com o Mercosul em uma reunião programada para sexta-feira.

Nos últimos dias, a crise geopolítica na América do Sul, com a atuação dos EUA na Venezuela, levantou dúvidas sobre o impacto no acordo Mercosul-UE. Contudo, especialistas em comércio exterior e direito internacional apontam que a situação não deve destravar nem impactar profundamente o acordo.

Há algumas controvérsias. O diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil acredita que a instabilidade no entorno do Mercosul tende a gerar menor disposição europeia para avançar em compromissos comerciais de longo prazo.

Já o presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) aponta que a atuação dos EUA “indiretamente agiliza o acordo”, pois cria um cenário em que, se nada for feito, os EUA passam a ser donos da América do Sul, com influência direta no bloco. Com o acordo, essa influência é reduzida, avalia o presidente.

Para ele, o movimento dá mais urgência ao acordo e pode acelerar decisões para “não perder o bonde”, especialmente no caso do mercado venezuelano.

Mas a leitura majoritária dos especialistas é que o episódio adiciona ruído político ao ambiente regional, sem alterar o núcleo do impasse que trava o acordo, concentrado nos temas ligados à agricultura e às exigências ambientais.

Ainda sobre a Venezuela…

Ataque americano tende a encarecer fretes, seguros e operações do comércio exterior do Brasil

Apesar de a Venezuela ter hoje peso reduzido no comércio exterior brasileiro — 0,25% das exportações —, o ataque dos EUA ao país pode gerar um efeito cascata, com impacto sobre custos operacionais e logísticos para o Brasil.

Reprecificação de seguros e fretes, elevação das exigências de compliance por bancos e seguradoras e ajustes operacionais impostos por armadores e instituições financeiras, que passam a adotar critérios mais conservadores para a região como um todo, são alguns dos possíveis impactos que o setor brasileiro pode sentir.

Com isso, a instabilidade na região pode levar ao encarecimento da operação, com aumento de fretes, seguros, exigências de due diligence e prazos de liberação mais longos.

A revisão de contratos logísticos e comerciais, com cláusulas de força maior e mecanismos de flexibilidade operacional, visando responder com agilidade a mudanças repentinas no ambiente político e regulatório, é essencial para os exportadores nesses momentos de instabilidade.

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👀 Decisão da Suprema Corte sobre tarifas pode sair nesta sexta-feira

A Suprema Corte dos EUA agendou sexta-feira como o dia de emissão de pareceres, indicando que esta será a primeira oportunidade para uma decisão sobre as tarifas de Trump.

O tribunal nunca anuncia com antecedência quais decisões estão prontas para divulgação, apenas que, em casos com debates, podem ser tomadas quando os juízes assumirem seus postos.

A decisão sobre as tarifas é considerada uma possibilidade, dada a celeridade com que o tribunal tem conduzido o caso até o momento.

Os argumentos apresentados em 5 de novembro sugeriram que o tribunal estava cético quanto à autoridade de Trump para impor as tarifas com base em uma lei de 1977 que concede poderes especiais ao presidente em situações de emergência.

O anúncio no site do tribunal ocorre com o retorno dos juízes de um recesso de quatro semanas.

✈️ Aeroporto de Viracopos se torna único do Estado de SP com certificação OEA

O Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas (SP), conquistou a certificação de Operador Econômico Autorizado (OEA), concedida pela Receita Federal do Brasil (RFB), tornando-se o único aeroporto do Estado de São Paulo a obter esse reconhecimento.

  • A certificação foi publicada no DOU no dia 19 de dezembro de 2025, por meio do Ato Declaratório Executivo Decex/SPO nº 111/2025.

O certificado OEA é um reconhecimento concedido a organizações que demonstram elevados níveis de segurança e confiabilidade em suas operações na cadeia logística internacional. O programa é baseado nas diretrizes da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e tem como objetivo facilitar o comércio internacional, promovendo maior segurança e eficiência nos processos aduaneiros.

A certificação atesta que Viracopos é considerado um operador de baixo risco para a fiscalização aduaneira.

Dentre os principais benefícios estão a maior agilidade e previsibilidade nas operações de comércio exterior, a prioridade em procedimentos de conferência quando selecionado, a redução de riscos e o acesso a canais de comunicação exclusivos com a RFB.

Até o momento, na última atualização da planilha de Operados OEA Ativos da RFB, apenas os aeroportos de Confins, em Belo Horizonte (MG), e o RIOgaleão, no Rio de Janeiro, possuem certificação OEA ativa.

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