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Senado aprova Lei da Reciprocidade em meio a ameaças tarifárias de Trump
Votação segue para a Câmara dos Deputados; incertezas sobre tarifas já impactam no mercado de fretes e transporte marítimo.
✍️ Lei da Reciprocidade é aprovada pelo Senado

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou, na tarde desta terça feira, 1º, a Lei da Reciprocidade, que permite que o Brasil possa responder com medidas retaliatórias em caso de barreiras tarifárias impostas por outros países.
A aprovação ocorre em um momento em que o Brasil entra na mira da política tarifária de Trump.
O projeto, que inicialmente era focado em dar mecanismos para reagir às exigências ambientais de outros países contra o mercado brasileiro, como no caso da Lei Antidesmatamento da UE - que foi adiada para dez/25 - a partir de agora também dá poder de reação econômica ao governo brasileiro.
As reações econômicas envolvem a aplicação de contramedidas comerciais pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) aos países que aplicarem tarifas extras ao Brasil e o poder de restrição a importações, suspensão de concessões, patentes ou remessas de royalties aos países ou blocos econômicos que atentem contra a competitividade dos produtos brasileiros.
O texto também exige que o Ministério das Relações Exteriores conduza consultas diplomáticas antes de qualquer medida ser tomada.
O projeto foi aprovado primeiramente pela CAE, posteriormente pelo plenário do Senado - com 70 votos a favor e nenhum contra - e agora segue para votação pela Câmara dos Deputados no dia de hoje.
Vale lembrar que hoje é a data agendada pelo presidente Trump para a apresentação de seu novo plano tarifário.
🚢 Queda acentuada nas taxas de frete marítimo: pior primeiro trimestre em 20 anos
O primeiro trimestre de 2025 registrou uma queda drástica de 28% nas taxas de frete de contêineres para exportação chinesas, marcando o pior desempenho dos últimos vinte anos, segundo o analista chefe de transporte da BIMCO, Niels Rasmussen.
Importante ressaltar que o Índice de Frete Conteinerizado de Exportação de Xangai (SCFI) reflete o nível geral da taxa de frete de exportação de dez grandes portos.
Apesar das previsões iniciais indicarem que seria um início de ano promissor, as taxas caíram mesmo com o mercado de exportação no Leste e Sudeste Asiático crescendo 20% em Janeiro, o que pode estar relacionado com o redirecionamento de navios ao redor do Cabo da Boa Esperança, que continua absorvendo cerca de 10% da capacidade da frota.
As rotas mais afetadas até o momento foram:
Ásia - Europa: -33%
Ásia - Mediterrâneo: -32%
Ásia - África do Sul: -40%
Ásia - Austrália/Nova Zelândia: -38%
Ásia - América do Sul: -35%
Ásia - África Ocidental: -26%
Apesar da redução significativa, as taxas médias foram 8% menores do que em relação a 2024, e ainda se mantêm 39% mais altas do que 2019.
Contudo, a incerteza comercial que assola os países em decorrência da guerra comercial iniciada por Trump não apenas afetam o comércio direto com os EUA, mas também o comércio mundial, pois à medida que os países começam a retaliar, o crescimento econômico mundial corre risco de diminuir.
Com isso, segundo Rasmussen, à medida que a capacidade da frota de navio porta contêineres deve crescer 5,4% em 2025, as taxas de frete devem permanecer mais baixas em 2024, mas caso o crescimento comercial não aconteça e os navios retornem às rotas normais na área do Mar Vermelho, os níveis de 2019 podem estar à vista em breve.
🏃♂️ Mercado de fretes se prepara para nova realidade tarifária
O setor de transporte marítimo aguarda com expectativa as decisões sobre as tarifas especuladas pelo governo americano, que podem impactar os custos operacionais, as rotas de navegação e a competitividade do comércio internacional.
Uma das poucas datas já definidas pelo governo americano, a data de 3 de abril, quando entram em vigor as tarifas de 25% sobre todas as importações automotivas, e sobre o México e Canadá, resultou em um aumento significativo no transporte rodoviário transfronteiriço, em uma tentativa de se antecipar a isso.
O setor de fretamento aéreo também apresentou aumento significativo de última hora pelo mesmo motivo, mas os sinais de enfraquecimento da demanda de e-commerce entre China e EUA preocupam o setor.
Em meio a tantas incertezas, os setores de fretes marítimos dos EUA decidiram antecipar operações e fretes e devem seguir antecipando até que o cenário tarifário se torne claro.
Mas, apesar do aumento na demanda, as tarifas de contêineres transpacíficos caíram e, com isso, pode-se esperar que as transportadoras tentarão elevar os preços a partir de um aumento nas “blanked sailings” - cancelamento de viagens programadas.
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