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Tarifas de até US$3,5 milhões fazem armadores correrem atrás de contratos
Novas medidas dos EUA alimentam incerteza do mercado; China se encontra com outros líderes para se preparar ante a tarifas.
A sexta chegou! 🥳 Dia de deixar para trás o peso da semana e recarregar as energias🪫
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🏃♂️ Armadores ajustam valor de contratos devido a imposto dos EUA sobre os navios da China

Diante da possibilidade de novas taxas portuárias dos EUA para navios construídos na China, armadores e afretadores estão revisando contratos de leasing para se proteger financeiramente.
Segundo fontes próximas ao tema, as cláusulas estão sendo adaptadas para transferir os custos dessas tarifas — que podem chegar a até US$ 3,5 milhões por escala — para os contratantes dos navios, total ou parcialmente.
Ainda que o plano da administração Trump para fortalecer a indústria naval americana não tenha sido detalhado, o setor já se antecipa aos riscos.
Em alguns contratos, está sendo incluída a responsabilidade do charterer por todas as taxas futuras. Em outros, define-se um limite de quanto o armador pagará, ficando o restante a cargo do afretador.
A incerteza principal gira em torno da definição exata de “navio chinês”, que ainda não ficou clara em discussões sobre o assunto.
Principalmente considerando os números levantados pela Clarksons, que constataram que mais de um terço da frota mundial ativa foi construída na China, deixando claro o potencial impacto da medida, que inclui taxas a partir de US$ 1 milhão por escala com custos adicionais se o navio for operado por empresas chinesas ou tiver encomendas ativas com estaleiros chineses.
Por conta disso, representantes do setor que se reuniram em uma audiência em Washington nesta semana ficaram divididos, em parte pelo temor de uma dependência da China, e em outra pela possibilidade da nova política prejudicar as cadeias globais de suprimento, afetando negativamente vários setores da economia.
Algumas empresas que transportam cargas de alto valor, como petróleo ou grandes volumes, podem ser capazes de absorver os custos extras. No entanto, operadores que lidam com produtos de baixo valor, como frutas frescas, temem repassar os custos aos consumidores, reduzindo sua competitividade e consequentemente prejudicando seus negócios.
🤨 Donald Trump à parte, o Brasil não cresce porque o comércio exterior não funciona
Já atuo no comércio exterior há muito tempo, atualmente em uma empresa de logística internacional e desembaraço aduaneiro, e posso afirmar que o problema que impede o Brasil de crescer não é qualquer medida protecionista de Trump ao aço e alumínio, ou qualquer medida que ele possa criar. O buraco é mais embaixo!
Enquanto escrevo este texto, os auditores da Receita Federal estão em greve há mais de 100 dias e no meio de um movimento chamado “desembaraço zero” que vai travar o comércio exterior.
São 100 mil encomendas atrasadas e prejuízo estimado em 3 bilhões de reais em custos extras.
O motivo divide opiniões, há quem considere legítimo pois a categoria não tem reajuste há anos, mas há quem questione por considerar que além dos altos salários, possuem diversos benefícios - como não inspecionar cargas em dias de chuva.
Por outro lado, os mesmos servidores estão implementando a DUIMP, novo sistema que promete agilizar os desembaraços e liberar cargas com mais eficiência e agilidade. Contudo, o projeto está em pauta desde 2017 e até hoje tem sua data de entrega constantemente adiada, são tantas justificativas que parece que o sistema pode se tornar obsoleto antes mesmo de ser implementado.
Somado a isso, a crise do supply chain que assolou o mundo durante a pandemia ainda está presente por aqui.
Na exportação, quando há contêineres disponíveis, não há janela para carregamento nos terminais portuários em que os navios operam, levando a atrasos na saída programada e gerando custos extras de armazenagem e aluguel de contêiner para o exportador - que repassa o custo ao produto e o torna menos competitivo no mercado internacional.
Já na importação é o contrário – apenas o fluxo, pois o problema é o mesmo –, após finalizar a operação de trazer produtos ao país e iniciar o procedimento de devolução dos contêineres para o terminal designado pela companhia marítima, não há janelas de carregamento para armazenagem dos contêineres vazios, e não há qualquer negociação com o importador sobre o local de entrega, mesmo que demore mais de um mês para liberar espaço.
Nesse cenário, mais uma vez é o importador que fica responsável pelos custos extras e, claro, repassa o prejuízo ao preço do produto.
Quando o assunto é carga aérea, os aeroportos estão colapsados, com concessões próximas de serem finalizadas fazendo com que os acionistas não queiram investir em melhorias.
O Aeroporto de Guarulhos, por exemplo, passou por momentos de caos em 2024. Foram milhares de importações paradas na pista por falta de espaço nos armazéns, impedindo o recebimento de novas cargas e sobrecarregando os outros aeroportos, penalizando o importador - que escolhe o modal aéreo por estar com pressa de receber a mercadoria.
O país está crescendo, as exportações acontecendo, mas só seremos o país do futuro quando o custo gerado pela ineficiência governamental e ganância privada deixarem de existir ou melhorarem. Até lá, iremos reclamar muito de medidas protecionistas de países parceiros.
🫠 Política dos EUA alimenta incerteza do mercado
A BIMCO divulgou seu Panorama e Perspectivas do Mercado de Containers – Março de 2025, destacando que as mudanças na política comercial dos EUA, como novas tarifas de importação e taxas portuárias sobre navios ligados à China, estão aumentando a incerteza no setor marítimo.
Oferta e Demanda
A expectativa é que a oferta de navios cresça 6,2% em 2025 e 3,1% em 2026, embora as entregas de novos navios devam cair de 35% a 50% em relação ao recorde de 2024.
Por outro lado, a demanda deve cair de 1% a 2% em ambos os anos, principalmente com o retorno gradual das rotas marítimas à normalidade, o que encurta as distâncias navegadas.
Porém, mesmo que as rotas continuem alteradas, a balança entre oferta e demanda deve se enfraquecer, pressionando o mercado.
Impactos das Políticas dos EUA
As medidas dos EUA para proteger sua indústria — principalmente as tarifas sobre produtos da China, Canadá e México, e sobretaxas sobre aço e alumínio — já estão afetando a confiança do consumidor americano, que atingiu o menor nível desde novembro de 2022.
Levando em consideração que os países afetados podem responder com tarifas retaliatórias aos produtos americanos, os impactos podem ser ainda maiores e se espalharem para a economia global.
E isso já está refletindo como realidade, pois embora o FMI preveja um crescimento econômico mundial de 3,3% em 2025 e 2026, a OCDE estima que o aumento das tarifas enfraquecerá significativamente o crescimento na América do Norte.
Previsões logísticas
As entregas de navios devem somar 1,7 milhão de TEUs por ano, fazendo a frota crescer 9% entre o fim de 2024 e 2026.
A reciclagem de navios deve aumentar, caso as condições do mercado piorem.
O congestionamento portuário permanece estável, mas pode crescer nos EUA se as novas taxas sobre navios chineses forem implementadas.
A conclusão da BIMCO é de alerta para riscos maiores que o normal, a previsão é de que o crescimento no volume transportado pode ser 0,5% menor, ou seja, o crescimento ficará entre 2,5% e 3,5% em 2025 e 2026.
🇨🇳 China organiza reuniões com executivos estrangeiros e líderes mundiais em preparação para tarifas de Trump
A expectativa de uma nova rodada de tarifas dos EUA, previstas para 2 de abril, levou a China a intensificar sua agenda diplomática e empresarial.
Autoridades chinesas, incluindo o presidente Xi Jinping, se reuniram ao longo da última semana com líderes estrangeiros e executivos de grandes empresas para discutir cooperação internacional e resiliência das cadeias de suprimentos.
Entre os destaques, os ministros das Relações Exteriores da França e da China se encontraram em Pequim, ambos se comprometeram a fortalecer os laços econômicos entre os dois países, promovendo investimentos chineses na França e ampliando a cooperação em setores como agricultura e inteligência artificial.
A movimentação ocorre apesar da disputa comercial entre União Europeia e China, marcada por tarifas sobre veículos elétricos chineses e a retaliação da China com impostos sobre o conhaque francês.
Além disso, Xi Jinping se reuniu com mais de 40 CEOs globais — incluindo líderes da FedEx, AstraZeneca e Standard Chartered — para tratar da estabilidade e diversificação das cadeias de suprimento. A conversa ocorreu poucos dias após o Fórum de Desenvolvimento da China, o principal evento de negócios do país.
Diante do aumento das tensões comerciais com os EUA, tanto governos quanto empresas estão buscando novos parceiros comerciais e estratégias para reduzir a dependência do mercado americano, especialmente em cadeias produtivas complexas.
Para muitas empresas, as novas tarifas podem ter um efeito em cascata, impactando custos, logística e preços finais.
Embora a China também possa sofrer com as novas sanções — especialmente seu setor automotivo e de veículos elétricos, avaliado em cerca de US$ 800 bilhões —, o país parece buscar uma posição estratégica como alternativa aos EUA na reestruturação do comércio mundial.
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