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Taxa primeiro, conversa depois: Trump adia tarifas
Após negociações, as tarifas impostas ao Canada e México ficam suspensas por 30 dias, entretanto, a China já sinaliza taxação sobre os produtos dos EUA.
💰Acordo trilateral adia aplicação de tarifas comerciais

Trump suspendeu por 30 dias as tarifas que seriam impostas ao Canadá e México.
O anúncio, feito na noite de segunda-feira (3), veio após negociações com os líderes dos dois países, evitando que as medidas entrassem em vigor na terça-feira (4).
O Canadá, sob liderança de Justin Trudeau, fez promessas:
Um investimento de 1 bilhão de dólares canadenses em segurança fronteiriça;
A nomeação de um "czar do fentanil";
A classificação de cartéis como grupos terroristas;
A criação de uma força-tarefa conjunta com os EUA.
As tarifas propostas por Trump seriam de:
25% sobre a maioria das importações;
10% para produtos energéticos canadenses.
O impacto dessas tarifas seria expressivo para a indústria automotiva mexicana, a qual mantém forte presença no mercado americano, tendo exportado US$ 36 bilhões para os EUA em 2023. Segundo estimativas da Indústria Nacional de Autopeças do México, a implementação das tarifas poderia resultar em um aumento de US$ 3.000 no preço médio dos carros nos Estados Unidos.
🌎Disputa comercial entre EUA e China ganha novo capítulo com tarifas mútuas
Após estabelecer a trégua de 30 dias nas tarifas, Trump mira a China.
Até agora, o que já sabemos:
EUA já implementou uma tarifa geral de 10% sobre produtos chineses;
China prepara sua contraofensiva para a próxima segunda-feira:
15% sobre importações de GNL e carvão americanos;
10% sobre petróleo, maquinário agrícola e carros de grande porte.
A história recente serve de alerta: na primeira guerra comercial com Trump, a China simplesmente redirecionou suas importações de grãos dos EUA para o Brasil. Na época, o setor registrou quedas consecutivas relativas as toneladas-milha transportadas de 0,5% em 2018 e 2019, segundo a Clarksons.
Enquanto uma conversa entre Trump e Xi Jinping está prevista para esta semana, o horizonte comercial permanece turvo. Trump já sinalizou que a União Europeia será seu próximo alvo, indicando que a instabilidade no comércio global está longe do fim.
📊EUA, China e Brasil: exportações brasileiras experienciaram aumento em cenário semelhante
Na primeira guerra comercial entre China e EUA (2018-2019), o Brasil expandiu as exportações de commodities agrícolas para o mercado chinês, aproveitando as tarifas impostas pelo país aos produtos norte-americanos
Principais produtos exportados para a China no período:
Soja: Principal commodity beneficiada, responsável por 43% das exportações brasileiras para a China em 2017. Em 2018, as vendas do grão aumentaram US$ 7 bilhões em relação ao ano anterior, ocupando quase todo o espaço deixado pela soja americana no mercado chinês.
Carne bovina e produtos proteicos: As exportações cresceram com a demanda chinesa por proteínas.
Algodão: Aumentou as vendas para a China, parte do mercado antes ocupado pelos EUA.
Produtos secundários que cresceram em quantidade exportada:
Tabaco para fumar (+521%)
Lagostas congeladas (+327,8%)
Fígados, ovas e gônadas (+421,6%)
Milho (+376,3%).
💹Impacto no volume e valor das exportações
As exportações brasileiras para a China saltaram de US$ 22,6 bilhões em 2017 para US$ 30,7 bilhões em 2018, um aumento de US$ 8,1 bilhões.
⚓️Panamá faz concessões aos EUA
Durante a visita do Secretário de Estado americano Marco Rubio ao Panamá, o país fez duas importantes concessões aos Estados Unidos: prometeu passagem livre para navios de guerra americanos pelo Canal do Panamá e confirmou sua saída do programa de empréstimos da China (a Iniciativa Cinturão e Rota).
Essa movimentação aconteceu depois que o Presidente Trump expressou preocupações sobre a influência chinesa no canal e reclamou das taxas "exorbitantes" cobradas dos navios americanos. Trump chegou a sugerir que os EUA poderiam "retomar o controle" do canal se necessário, embora depois tenha dito que não acredita que tropas serão necessárias.
O presidente panamenho José Raul Mulino tentou diminuir as tensões, descrevendo seu encontro com Rubio como "respeitoso e cordial". Ele disse não sentir nenhuma ameaça real ao tratado do canal ou risco de uso de força militar.
Mesmo assim, a autoridade do canal anunciou que vai "otimizar a prioridade de trânsito" para navios da Marinha americana.
📦Consolidado de Notícias do Dia📦
Regulamentação E-commerce UE: União Europeia prepara nova legislação alfandegária para 5 de fevereiro, tornando marketplaces como Temu, Shein e Amazon legalmente responsáveis pelos produtos comercializados, eliminando isenção para compras até 150 euros e criando órgão central de fiscalização.
Abastecimento Pioneiro GNL: Seaspan Energy realiza primeiro abastecimento ship-to-ship de GNL no Canadá, no Porto de Vancouver, marcando uma nova era de combustíveis de baixa emissão na região com sua frota de três navios de 112 metros.
Greve na Receita Federal: Auditores-Fiscais completam 69 dias de paralisação aguardando negociação com governo, enquanto buscam aprovação de recursos via Fundaf para implementação do reajuste salarial em junho.
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